

Taylor Momsen nunca esteve longe dos holofotes, mas ela e a The Pretty Reckless agora estão prontos para conquistar os maiores palcos do mundo. A banda fez turnê por toda parte abrindo os shows da Pwr Up Tour, do AC/DC, fez um cover de Mariah Carey ao lado do Foo Fighters, se apresentou com o Soundgarden durante a cerimônia de entrada da banda no Rock & Roll Hall of Fame e ainda revisitou seu icônico papel de infância como Cindy Lou Who no EP natalino "Taylor Momsen’s Pretty Reckless Christmas". Segundo a própria banda, Dear God representa uma nova era: uma fase em que Momsen não precisa mais provar seu valor e está livre para simplesmente fazer o rock que quiser.
E ela faz exatamente isso.
A grande força da The Pretty Reckless sempre foi a combinação de poder e vulnerabilidade. O corpo esguio de Momsen abriga uma voz estrondosa, capaz de assumir diversas personalidades. Ela é absolutamente arrepiante em "For I Am Death", soando possuída nos versos e completamente descontrolada no refrão. Em "Spell On You" (não é um cover do clássico do blues), ela abraça sua bruxa interior em uma performance carregada de desejo. Sua atitude transmite a confiança de alguém totalmente comprometida em ser uma verdadeira roqueira e contadora de histórias, usando a voz para servir à atmosfera de cada música. Sua voz rouca funciona perfeitamente quando está tomada pela raiva, como acontece em "About You". Já o funk inspirado no Red Hot Chili Peppers de "Rollercoaster of Life" traz uma vibração mais leve, com clima sessentista, enquanto Momsen canta de forma mais contida, exatamente como o refrão sugere.
A vulnerabilidade crua aparece de diferentes maneiras ao longo do disco. "Love Me" é um lamento sobre a depressão que, à primeira vista, pode parecer um clichê, mas seus versos revelam um isolamento desesperador e uma profunda necessidade de conexão. É brutalmente honesta. E não são apenas as baladas que carregam esse peso. "When I Wake Up", que já se tornou uma favorita dos festivais, também transmite arrependimento à medida que a noite da personagem sai cada vez mais do controle. A faixa-título, "Dear God", é mais sutil: começa com uma introdução guiada pela batida, destacando a voz de Momsen. Quando chega o refrão, sua interpretação é simplesmente épica, voltando os olhos aos céus em busca de respostas.
O álbum é uma jornada intensa pela mente de Taylor Momsen, explorando seus medos e sonhos, embora não em proporções iguais.
O que faz Dear God funcionar tão bem é sua coesão. Por melhor que Death by Rock and Roll seja, ele sofre um pouco com mudanças de estilo provocadas pelos convidados especiais e por algumas escolhas criativas. Desta vez, todas as músicas foram compostas apenas por Momsen e pelo guitarrista Ben Phillips, o que dá ao álbum uma uniformidade muito maior, mesmo quando eles experimentam diferentes sonoridades. "Dragonfire" começa como uma canção folk acústica e ganha contornos psicodélicos quando as guitarras elétricas entram em cena e Momsen eleva sua performance a outro nível. "Life Evermore" aparece dividida em três partes espalhadas pelo álbum e não em ordem cronológica. Ela funciona como o fio condutor dos temas centrais do disco: reflexão, arrependimento e esperança no futuro. O timbre característico da guitarra de Phillips define a identidade sonora da banda, mas ele sabe variar os riffs, incorporando elementos de punk, garage rock, blues e funk nas músicas mais pesadas.
O último terço do álbum busca um impacto emocional ainda maior ao refletir sobre o sonho americano contemporâneo, muitas vezes com o auxílio de instrumentos acústicos. "Eye of the Storm" procura entender por que "everything has gone to hell" ("tudo foi para o inferno") na sociedade atual. No entanto, a letra acaba recorrendo demais a clichês e rimas previsíveis. "Devil in Disguise (Michelle’s Song)" é muito mais pessoal, e sua sinceridade se destaca. A música me tocou mais a cada audição; a simbologia cristã encaixa perfeitamente em sua apresentação discreta. Quase como se quisesse deixar a mensagem do álbum totalmente explícita, a penúltima faixa é "Dark Days". Com um groove mais lento, ela lembra mais Fleetwood Mac do que Guns N' Roses e apresenta uma narrativa muito bem construída no estilo do AOR dos anos 1970. A letra utiliza metáforas e imagens bíblicas (literalmente) para transmitir um significado mais profundo, que parece estar sempre um pouco além do alcance de Momsen como compositora. Felizmente, a força de sua interpretação vocal vende a mensagem melhor do que as próprias palavras conseguem.
Dear God mantém o trem do hype do The Pretty Reckless em movimento. Em seus melhores momentos, é rock'n'roll em sua forma mais pura, contando histórias com as quais os fãs conseguem se identificar e encerrando tudo com solos de guitarra e os belos lamentos vocais de Taylor Momsen.
Ainda assim, o álbum sofre com um excesso de clichês e algumas letras desajeitadas. Mesmo assim, existe uma sinceridade crua que faz do The Pretty Reckless uma banda obrigatória tanto para ouvir quanto para assistir ao vivo quando estiver em turnê.
Nota: 7.5/10
Dear God será lançado em 26 de junho pela Fearless Records.
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